O Trabalho de Percepção do Neófito Parte 2: Treinamento Mágicko


O Trabalho de Percepção do Neófito

Parte 2: Treinamento Mágicko


Este artigo está divido em duas partes: a primeira abordou o processo de transição do(a) Aspirante, do Probacionato ao Neofitado, enfatizando a importância da Mudança Fundamental de Paradigma e do Trabalho de Percepção na articulação do papel social do(a) Neófito(a). E nesta edição será exibida a segunda parte que abordará o Trabalho de Percepção do(a) Neófito(a) com o foco no treinamento mágicko. 

De acordo com o Liber CLXXXV, A Tarefa de um(a) Neófito(a):

3. Ele deverá passar os quatro testes chamados de os Poderes da Esfinge.

4. Ele deverá aplicar-se em compreender a natureza de sua Iniciação.

5. Ele deverá memorizar um capítulo de Liber VII; e além disso, ele deverá estudar e praticar Liber O em todos os seus ramos: ele também deverá começar a estudar Liber H e algum método geralmente aceito de divinação. Ele também irá ser examinado em seu poder de Viagem na Visão do Espírito.

O Sistema de Graus da Santa Ordem é organizado em conformidade com a Árvore da Vida da Cabala, e o grau de Neófito corresponde à décima Sefirah, Malkut. Malkut é a esfera relativa ao elemento Terra, e deste modo, representa o plano físico (o habitat terrestre em suas quatro dimensões) e o corpo físico do ser humano.

O(A) Aspirante realiza a transição do “Mundo das Conchas” (Probacionato) para o “Plano de Discos” (Neofitado), e então, Malkut (Assiyah) se torna o destino. O percurso que antes era encoberto pela “escuridão” das Qliphoth, agora se ilumina com fagulhas de luz proeminentes do reflexo da luz do Sol (Tipharet)[1]. No entanto, tudo começa a se tornar real e a percepção da realidade se apura. É neste contexto que o treinamento do Neófito é adaptado de modo que ele aprenda a se reconhecer diante da incidência da luz, mesmo que ainda permaneça na penumbra. 

O treinamento do grau de Neófito é divido em prático e teórico. No treinamento teórico, além da bibliografia sugerida nos libri CLXXXV e XIII (parte em anexo), como metodologia da linhagem de Marcelo Motta, sugerimos os estudos complementares sobre Nephesh, sobre os quatro Reis Tex, sobre os quatro Dez e as quatro Princesas do Tarot de Thoth e sobre o Sistema Endócrino (baço-fígado) e sua relação com os centros de força motriz: plexos e chakras. O treinamento prático é realizado seguindo o modus operandi do Trabalho de Percepção, e é desenvolvido tomando como referência as práticas propostas relativas aos caminhos 32, 31 e 29 da Árvore da Vida, que procedem da décima Sefirah, Malkut, cujos treinamentos serão abordados posteriormente, neste artigo.

Como abordado na primeira parte desse artigo, a fase primordial do Trabalho de Percepção do(a) Neófito(a), em consonância com a proposta da Mudança Fundamental, visa a autopercepção sob a ótica do seu próprio corpo físico, e o funcionamento dos seus cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, pois é através deles que acontece a interação com o mundo à volta. Por esse motivo, propõem-se ao Neófito(a) o estudo detalhado sobre Nephesh e seu campo de atuação, e sobre o sistema baço-fígado (e plexos e chakras correspondentes), para que possa entender a interrelação do corpo físico com o Mundo de Assiyah, enquanto realiza o treinamento prático, e vivencia o espectro do trabalho do grau no dia a dia. 

Conceitos básicos sobre Nephesh

Na Tradição Cabalística, tanto a Alma (nível) animal, quanto a Alma (nível) vegetal se combinam para formar Nephesh ou Alma Vital ou Natural. Nephesh fica confinada em Assiyah, habitando sua face superior, portanto, coexiste com a mecânica mental da face inferior de Yetzirah, ambos os aspectos conjugados operam dentro da tríade cujo eixo situa-se no Ego Yessódico. Nephesh é a inteligência que rege o corpo orgânico e a parte mais simples da psique.

Nephesh e o corpo físico formam uma união indivisível. Enquanto Alma Vital, é a força motriz, que se porta como uma cópia energética do corpo físico, anatômica e fisiologicamente, e a ele se interpenetra, sendo a mediadora entre os corpos astral e físico, distribuindo por ele a energia vital através de sua conexão com os centros de força ou chackras. Possui a função de estabelecer a saúde automaticamente, influenciando diretamente no desenvolvimento e no crescimento do corpo físico.

Nephesh possui individualidade própria, mas não tem consciência, nem junto e nem separada do corpo. Sua ação é estimulada em um plano de consciência superior, cujas informações são captadas pelo cérebro e manifestadas no corpo. É responsável por impulsionar os atos determinados pela vontade primária, ligados a instintos básicos de sobrevivência, mas também se correlaciona com as emoções e sentimentos, por nela se associarem as cargas emocionais referentes às crenças da personalidade, e dos padrões emocionais de reação.

Nephesh é o termo bíblico para a natureza humana, enfatizando a individualidade existente em cada ser humano. Está quase sempre ligada a uma forma, e não possui existência além de um corpo físico, sendo intrínseca a ele, logo, não representa parte de uma pessoa, e sim é a própria pessoa; sendo a palavra “pessoa” uma das traduções mais encontradas na bíblia: "pessoa" compreendida na realidade corpórea.

O treinamento nos caminhos 32, 31 e 29 da Árvore da Vida

O caminho 32, referente à letra hebraica Tav, possui maior relevância entre os três, por ser o que liga o grau do Neófito ao grau de Zelator, portanto, os treinamentos inerentes aos outros dois caminhos são complementares, mas não menos importantes. 

O propósito do treinamento do caminho 32 é obter o “controle”[2] do Plano Astral, e nele estão contidas as práticas do Asana e de Viagem em Visão do Espírito[3]. 

Dito isso, através da prática diária do Asana, o(a) Neófito(a) inicia uma fase do trabalho de percepção que visa observar como o corpo físico e Nephesh, inseparáveis, atuam em si próprio. O objetivo do Asana é manter o corpo rígido e imóvel (elemento Terra), na posição escolhida pelo(a) Neófito(a), por um período de tempo determinado. Durante a prática é natural surgirem desconfortos ligados à imobilidade, sejam físicos ou de cunho psíquico-emocional. Geralmente surgem dores nas pernas e na coluna, dormência e formigamento nas pernas e nos pés, e eventualmente, coceiras. Também é habitual que os pensamentos acelerem (mente tagarela), e que surjam projeções mentais ou visões de personagens e formas aleatórias. A dica é não os evitar, mas deixá-los passar num plano de fundo, sem dar-lhes a devida atenção. Atualmente, em meio ao ritmo de vida que estamos submetidos, cada vez mais acelerados e permeados de diversas informações, acalmar a mente e regular a respiração exigem um grande esforço, e com isso, conseguir silenciar a mente se tornou uma tarefa desafiadora.

Superada a fase do desconforto da imobilidade, inicia-se a fase em que é adicionado um frasco ou pequena garrafa pet, vazia, sobre a cabeça do(a) Aspirante, que precisará permanecer com o objeto, sem deixar cair, por um período de tempo acordado com o(a) instrutor(a). Diga-se de passagem, que para diminuir o incômodo, essa prática sofreu alterações ao longo do tempo, visto que há poucos anos ainda era utilizado um pires com água ao invés da garrafinha pet ou fraco vazio de shampoo. Essa é a fase em que o(a) Neófito(a) será devidamente testado quanto a educação do ego, ou seja, educação de Nephesh, motivo pelo qual o estudo aprofundado sobre o tema é imprescindível. Compreender Nephesh e desenvolver a percepção de como, onde e quando ela está atuando, é uma importante chave iniciática a ser explorada ao longo dos graus elementais para se alcançar a Grande Obra: o Conhecimento e Conversação do SAG.

A prática do Asana possibilita ao Neófito realizar um trabalho apurado de autopercepção, no momento que ele/ela reconhece que o corpo físico é o veículo operacional por onde reverbera tudo que acontece externamente, no meio ambiente, e internamente, no seu mental e no seu emocional. O ato de trazer as percepções para o corpo, tornando-o o foco, para o momento presente, facilita a interpretação dos estímulos (através dos cinco sentidos), e consequente alinhamento (regulação) dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, não somente durante as práticas mágickas, mas principalmente, nas ocasiões de desequilíbrio psíquico-emocional. 

Além da prática do Asana, para o caminho 32 prescreve-se a prática de Viagem em Visão do Espírito. No entanto, viajar em Visão do Espírito não é simplesmente deixar a mente divagar, e na Santa Ordem utilizam-se como diretrizes os rituais contidos nos Libri O, V (Ritual da Marca da Besta) e XXV (Rubi Estrela), e em exercícios utilizando os Tattwas, os Atus do Tarot de Thoth, entre outros. Em nossa linhagem adotamos conjugados aos rituais contidos nos Libri O, V e XXV, os quatro Dez do Tarot de Thoth. 

Conforme o “Sistema do Motta”, manipulamos, simultaneamente, os quatro Mundos Cabalísticos ou Olans, cuja representatividade está muito bem ilustrada nos quatro naipes ou elementos dos Arcanos menores do Tarot de Thoth. Em se tratando da décima Sefirot, Malkut, estamos nos referindo aos quatro Dez: Dez de Discos - Riqueza; Dez de Espadas - Ruína; Dez de Copas - Saciedade e Dez de Bastão - Opressão, que além de representar cada Mundo Cabalístico, ainda compreendem os ordálios a serem vivenciados e superados pelo(a) Neófito(a). 

Malkut, igualmente, comporta as quatro Princesas que correspondem aos quatro subelementos: Princesa de Discos - Terra de Terra; Princesa de Espadas - Terra de Ar; Princesa de Copas - Terra de Água e Princesa de Bastão - Terra de Fogo. Elas também podem ser usadas como ferramentas para a prática de Viagem em Visão do Espírito, assim como em rituais específicos. 

No caminho 32 ainda é realizada a prática de Viagem em Visão do Espírito utilizando o Atu XXI - O Universo, corresponde à esse caminho. 

O caminho 31, referente a letra hebraica Shin, interliga as Sefirot Malkut e Hod. O Liber XIII, em seu anexo, indica como treinamento para este caminho “Práticas de Meditação Equivalentes ao Ritual CXX”[4]. Na linhagem referente à Abadia Het Heru, empregamos como treinamento para esse caminho a primeira meditação do Liber HHH (Subfigura 341), de título MMM, cujo conteúdo é complementar ao do Liber Pyramidos[5]. O objetivo dessa prática é fazer com o que o(a) Aspirante, através da meditação guiada e da Viagem em Visão do Espírito revisite algumas passagens experimentadas no Ritual do Pyramidos, mediante outra perspectiva. Ademais, essa prática visa formar e fortalecer o corpo de luz ou corpo astral do(a) Neófito(a), assim como estimular a sua Aspiração ao Sagrado Anjo Guardião. 

No caminho 31, referente a letra hebraica Shin, é realizada a prática de Viagem em Visão do Espírito, utilizando o Atu XX - O Aeon, que está associado a esse trajeto.

O Caminho 28, referente a letra hebraica Qoph, interliga as Sefirot Malkut e Netzach. Para este caminho é prescrito o aprendizado e a prática de um “Método de Divinação”, e o recomendado pela linhagem é o oráculo da Geomancia. A Geomancia é uma antiga arte divinatória e oráculo, com raizes árabes, baseado na interpretação de pontos ou figuras geradas aleatoriamente. O processo envolve criar dezesseis figuras ou signos geomânticos (tetragramas) através de quatro linhas de pontos (ímpares ou pares), representando os elementos, Fogo, Ar, Água e Terra, organizados em casas astrológicas, para responder à questões cotidianas. Tradicionalmente, as figuras eram desenhadas na terra ou na areia, hoje se utiliza lápis no papel. É considerado um "oráculo da Terra", motivo pelo qual é o método divinatório recomendado para ser aprendido e praticado no grau de Neófito. 

No caminho 28, a prática de Viagem em Visão do Espírito é realizada com o Atu XVIII - A Lua, que se relaciona a esse percurso. Não à toa, este caminho é propício para práticas de divinação, e o treinamento de Viagem em Visão do Espírito utilizando o Atu XVIII possibilita o desenvolvimento da intuição e do manejo da imaginação, por outro lado, previamente impulsiona, mesmo que inconscientemente, faculdades do ordálio do(a) Zelator, que serão vivenciadas no respectivo grau: o brilho radiante da luz da Lua pode entorpecer o ego do Aspirante, que iludido se desvia do propósito de sua jornada[6].

O Trabalho de Percepção na prática de Viagem em Visão do Espírito[7]

O que é Viajar em Visão do Espírito ou realizar uma Viagem Astral? De forma simplificada e em consonância com o trabalho mágicko da Santa Ordem, significa projetar a sua visão para um determinado espaço, ambiente ou lugar, criado pela sua sua imaginação, no plano da sua consciência. É estritamente um trabalho de imaginação ativa, que pode ou não resultar em transe, portanto, não se trata de desdobramento espiritual, onde a alma, temporariamente, se desprende do corpo físico, como ocorre em trabalhos de outras escolas espiritualistas e com outros fins.

No treinamento da Santa Ordem, a Viagem em Visão do Espírito é uma prática usual, realizada desde os primórdios no treinamento pelo(a) Probacionista, e as vezes sem ele(ela) perceber. E a base da Viagem Astral está nas práticas de visualização e de assunção forma-deus, contidos em quase todos os rituais, e a maneira de alcançar a habilidade é treinando essas duas modalidades.

Como mencionado, de acordo com o “Sistema do Motta”, adotamos os Atus do Tarot de Thoth, sejam conjugados aos rituais, sejam associados à um caminho da Árvore da Vida, para realizarmos as práticas de Viagem em Visão do Espírito.

Cada Atu do Tarot utilizado tem um porquê de estar sendo manipulado. A imagem de cada lâmina possui simbologias e chaves que tem como objetivo ativar o inconsciente do(a) Aspirante a fim de gerar futuros insights, que resultarão em gnose, e com isso, eventuais mudanças de paradigma. Portanto, para que isso ocorra, antes de iniciar a Viagem Astral, é necessário que o Atu tenha sido observado em detalhes, absorvendo o máximo de informações contidas nas ilustrações para depois utilizá-lo como portal. Em seguida, caberá ao Aspirante ir adquirindo a expertise de visualizar as imagens que surgirem por meio da imaginação ativa, sem julgamentos, isto é, sem se preocupar com o motivo de estarem aparecendo ou emergindo do inconsciente.

Lembrem-se que enquanto Neófitos(as), ao viajarem em Visão do Espírito, estarão acessando o baixo plano astral, lugar onde situam-se os lixos astrais, dentre eles, as formas-pensamentos, os seres elementais etc., e por isso, qualquer coisa que esteja em consonância ou afinidade vibratória com a sua, poderá aparecer nas visões. No entanto, podem ser coisas interessantes, ordinárias, bobas, horripilantes, mas todas, num primeiro momento, sem qualquer importância. Afinal, você é o que você pensa ou imagina? 

Isto posto, o segredo, e também o objetivo, é “perceber sem classificar”, pois ao “parar no meio” de uma Viagem Astral, para classificar ou fazer correlações intelectuais, estará interrompendo o estado de transe ou a experiência mágicka, perdendo o fio da meada, o que implica em atribuir maior importância às elocubrações da imaginação do que à experiência em si, sendo assim, manipulando intelectualmente o processo a fim de criar respostas[8]. Neste caso, o ego, que deveria estar apenas como observador, assume o controle, forjando o resultado que deixa de ser alcançado de forma natural através dos insights. Deste modo, qualquer símbolo ou “aparição” que julgar relevância, proponha-se à pesquisar ou fazer as possíveis correlações após a prática mágicka.

Considerações finais 

Muitos buscadores da Santa Ordem não imaginam a complexidade do trabalho iniciático desenvolvido ao longo dos graus da Primeira Ordem (referente à Golden Dawn), cuja atribuição se refere ao Homem da Terra. Esse atributo não é ao acaso, mas contextualiza a abrangência do trabalho iniciático, que vai para além do treinamento mágicko ao integrá-lo à rotina diária, ao dia a dia. Não há processo iniciático dissociado do corpo físico, dissociado dos diversos papéis sociais que assumimos na vida, dissociado da vivência mundana.

Por mais que a instrução se estabeleça na relação instrutor(a) – instruído(a) é importante que desde o Probacionato seja demonstrado que o treinamento da Ordem precisa englobar o relacionamento interpessoal, porque é ilusão pensar o processo iniciático somente pelo viés das práticas mágickas. A primeira parte desse artigo abordou como essas questões estão ligadas ao trabalho do(a) Neófito(a).

Diferente do que muitos pensam, o ato de instruir e divulgar a Lei de Thelema está diretamente relacionado ao propósito da Mudança Fundamental de Paradigma, e o Trabalho de Percepção serve como a base norteadora, o suporte essencial para que o(a) Neófito(a) desenvolva a habilidade de auto-observação. Com isso, reitero a relevância do papel social do(a) Neófito(a) cuja gestão das funções de instrução e divulgação da Lei de Thelema evidenciam o grau de maturidade alcançado em seu processo, estando intrinsecamente associado à consecução de reconhecer-se como Centro do Próprio Universo.

Todavia, a segunda parte do artigo refere-se à aplicação do Trabalho de Percepção ao Treinamento Mágicko do grau de Neófito, a partir da abordagem do “Sistema do Motta”, adotada como modus operandi pela linhagem referente à Abadia Het Heru. Como já foi dito, o treinamento do Neofitado é divido em prático e teórico, sendo este último baseado nas recomendações bibliográficas dos libri CLXXXV e XIII (parte em anexo), e complementadas por conteúdos inerentes à tradição da linhagem, como pesquisas aprofundadas sobre o Sistema Endócrino (baço-fígado) e sua relação com os centros de força motriz: plexos e chakras; e sobre Nephesh.

O treinamento prático baseia-se nas práticas dos caminhos 32, 31 e 29 da Árvore da Vida, todos procedentes da décima Sefirah, Malkut. O caminho 32, referente à letra hebraica Tav, possui maior importância entre os três por conectar o grau de Neófito ao grau de Zelator, portanto, os treinamentos referentes aos demais caminhos são complementares e basilares para que as práticas do caminho de Tav sejam bem-sucedidas. Por exemplo: as práticas de Meditação e Viagem Astral prescritas pelo Liber HHH (caminho 31) fortalece o corpo de luz ou corpo astral do(a) Aspirante, o que beneficia o exercício das práticas do Liber O em Viagem em Visão do Espírito conjugadas ou não com os quatro Dez, e, também, no controle da tela mental enquanto se realiza o Asana (ambos no caminho 32). Por outro lado, a Viagem em Visão do Espírito pelo Atu XVIII, A Lua (caminho 29), ao ativar a intuição e a imaginação, auxilia na visualização e na projeção visual de elementos ritualísticos no Astral[9].

Perceba que, apesar de parecerem distintos, um treinamento está vinculado ao outro[10]. No entanto, ao longo do texto não foi abordado sobre os testes dos Quatro Poderes da Esfinge, nem a respeito da memorização de um capítulo do Liber VII, nem sobre a confecção do Pantáculo, o que não significa que sejam práticas negligenciadas, muito pelo contrário.

Em síntese, o objetivo desse artigo, partes um e dois, foi enfatizar a relevância do Trabalho de Percepção do(a) Neófito(a) e como ele permeia todos os processos: desde a Mudança Fundamental de Paradigma e da gestão do Papel Social do(a) Aspirante, até o Treinamento Mágicko. Nesse sentido, o texto também busca evidenciar e demonstrar a perspectiva da tradição herdada através da linha de transmissão advinda do que denominamos, carinhosamente, de “Sistema do Motta”, que permanece viva, preservada e retroalimentada ao longo das gerações.

 


Soror Ignis
ignis@abadiadethelema.com
 


Bibliografia recomendada:

IGNIS, Soror. O Trabalho de Percepção do Neófito. Parte 1: Dos Bastidores da Mudança Fundamental de Paradigma à Percepção do Papel Social. Disponível em: https://blogdaabadia.blogspot.com/2026/04/o-trabalho-de-percepcao-do-neofito.html Acesso em: 20 abr. 2026.

IGNIS, Soror. Magia versus Magick: Escape da Realidade ou Experienciação? Desmistificando o Trabalho de Percepção ao Probacionista. Disponível em: https://blogdaabadia.blogspot.com/2022/04/magia-versus-magick-escape-da-realidade.html Acesso em: 20 dez. 2025.

IGNIS, Soror. O Caminho de Tau. Disponível em: https://blogdaabadia.blogspot.com/2021/01/o-caminho-de-tau.html Acesso em: 18 mar. 2026.

QVIF, Frater. A Mudança Fundamental. Disponível em: https://blogdaabadia.blogspot.com/2021/01/a-mudanca-fundamental.html Acesso em: 20 dez. 2025.

QVIF, Frater. 10 Considerações sobre Malkut. Disponível em: https://blogdaabadia.blogspot.com/2020/04/10-consideracoes-sobre-malkuth.html Acesso em: 20 dez. 2025.


_________________________________

[1] No grau de Neófito, o(a) Aspirante sai da escuridão em direção da Luz. Em outras palavras, ele ingressa no exercício progressivo de expansão da consciência, rumo ao estado de lucidez de Tipharet (grau de Adeptus).

[2] Observe que utilizei a palavra “controle” entre aspas, pois não controlamos o plano astral, e sim, obtemos com o tempo de práticas, expertise em lidar com as múltiplas informações contidas nele, as manipulando através da intenção, da força do pensamento, e principalmente, do foco.

[3] Essa é a metodologia usada na linhagem referente à Abadia Het Heru, contudo, outras linhagens podem utilizar de outras abordagens. A prática de Viagem em Visão do Espírito não se aplica somente ao treinamento do caminho 32, mas também aos caminhos 31 e 29.

[4] Que corresponde ao Liber Cadaveris, Ritual CXX, da Passagem através do Tuat. 

[5] Liber THROA, mais conhecido como Liber Pyramidos – Subfigura DCLXXI (671).

[6] Perceba que a Lua não possui luz própria, e seu brilho é o reflexo da luz do Sol. 

[7] Ou Viagem Astral.

[8] É muito comum o(a) Aspirante querer fazer contato com o personagem que aparecer nas viagens astrais em busca de aconselhamento ou respostas.

[9] Isto é, ativa memórias afetivas mantidas no inconsciente, trazendo-as para o plano da consciência. É um processo extremamente sutil, quase que imperceptível.

[10] O ideal, inclusive, seria que os treinamentos dos três caminhos fossem realizados simultaneamente, contudo, a rotina atarefada se torna um impedimento, e com isso, as instruções precisam ser adaptadas a cada Aspirante conforme a sua disponibilidade, e  como respondem às práticas mágickas.

 

 


 

 

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